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terça-feira, 3 de março de 2009

(Afinal) somos felizes!


Quem não leu o artigo com este título na última edição da revista "Visão", pode fazê-lo agora, aqui. Uma sondagem feita sobre a felicidade dos portugueses, que pode ver também aqui, mostra que afinal somos felizes. "Mais de 73%... consideram-se felizes. Família, amor, saúde e amizade" são o mais importante.

Quando tudo nos fala de crise, e, de uma forma ou de outra, acabamos por senti-la na pele, é bom recordar e convencermo-nos de uma vez por todas que afinal podemos mesmo ser felizes apesar de tudo.

Não viajamos tanto como gostaríamos, ou não viajamos de todo há já muito tempo, ganhamos pouco e cada vez mais o ordenado estica menos, mal chegando até à chegada do do mês seguinte. Temos menos poder de compra. Livros, discos e flores, por exemplo, deixaram de entrar como entravam nas nossas casas, e nós quase deixámos de sair de casa para ir jantar fora porque o dinheiro passou a deixar de dar para essas coisas. Mesmo os saldos não conseguem fazer-nos gastar dinheiro como nos outros anos (disse-se até que os últimos foram dos piores em volume de vendas). O dinheiro simplesmente já não chega para quase nada.

A "Visão" vem agora lembrar àqueles que se tinham esquecido e dizer aos que ainda não tinham percebido, que o dinheiro só por si não traz a felicidade, e demonstrar a todos que a felicidade não se faz de cifrões. É por isso que, apesar da crise, apesar de tudo, os portugueses se consideram felizes. Graças a Deus!, digo eu. Parece que afinal os portugueses valorizam mais os verdadeiros valores (a aliteração é propositada).

No final do artigo, a "Visão" recomenda "12 passos gratuitos, estratégias defendidas pela psicologia positiva, que guiam a caminhada até ao bem-estar".
A estes, junto mais um:
"13º - Sonhar mais."

E ainda me apetece acrescentar que esta é a altura certa para aproveitar pôr em prática a velha "máxima" do "amor e uma cabana"!

Sejamos felizes!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Apontamentos do autocarro (1)

Ontem, no autocarro, duas mulheres à minha frente conversavam. Apesar da leitura, não pude deixar de ouvir:
- Então e o que é fizestes ontem?

- Olha, fui mais a minha nora ao free-shop de Alcochete.


Anda uma pessoa ocupada na sua vidinha, e não dá por nada... Então afinal o aeroporto já está feito? Não era só em 2013?

Se calhar também já temos TGV...

Bom resto de semana curtinha!

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O precário fio dos dias

Faz hoje uma semana, comecei a ir trabalhar de autocarro. Não o fazia há muitos anos. Ou melhor, não era uma prática diária minha desde os tempos da Faculdade, e, confesso, tirando o impacto dos cheiros que de manhã custam ainda mais a suportar, até nem é mau de todo. A sério que não custa muito. Custa-me mais pensar que, fora algumas saídas à noite, passei a ser uma condutora apenas de fim-de-semana. Andar de transportes nem é assim tão mau, quando, como é o meu caso, temos autocarro directo casa/trabalho e vice-versa, o tempo de viagem não ultrapassa os 10 minutos e podemos chegar num quarto de hora, no máximo.
Mas, como em quase tudo o que faço, tento tirar o melhor partido.
A leitura ajuda-me a abstrair dos meus companheiros de viagem. A mão que ponho de vez em quando debaixo do nariz ajuda-me a esquecer os cheiros que me incomodam. E, a propósito, tenho um problema com a visão. Perdão, graças a Deus, não tenho problemas de visão, tirando os que são próprios dos quarenta e tais. Tenho, sim, problemas com a “Visão”, a revista. Mas eu explico: tem artigos bem escritos e interessantes, por isso muitas vezes a compro, mas é daquelas revistas, que, depois de uma primeira vista-de-olhos e da leitura da crónica do António Lobo Antunes, acabam por ir para o “papelão” com muito por ler.
Agora, antes de sair de casa, pego numa revista ou num jornal que cá esteja, e aí vamos os dois. Mas, voltando à Visão, a que levei hoje era, imaginem, de 17 de Abril. E desta vez ainda nem lera a crónica do Lobo Antunes! Intitulada “O precário fio dos dias”, é como tudo o que escreve, espantoso! Para quem não leu, deixo-a agora aqui. E não posso deixar de agradecer ao escritor a companhia que me fez. Obrigada, António. E "Aguente-se"!
Se andasse de carro, talvez já tivesse ido pôr as revistas antigas ao eco-ponto, e provavelmente teria perdido esta crónica!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Mudam-se os tempos...

MUDAM-SE OS TEMPOS...
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, enfim, converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.
Luís Vaz de Camões

A evolução dos assaltos.

terça-feira, 25 de março de 2008

Sinais da PDI

Saí a correr do trabalho para chegar a horas ao médico, a pensar que não passava de hoje perguntar-lhe porque é que nunca se ri. Da última vez que lá estive, em Fevereiro, passou toda a consulta de cara fechada, e eu a pensar que não me lembrava de alguma vez o ter visto sorrir. Receitou-me umas coisas e disse-me que fizesse umas análises.
É um homem dos seus 60 anos, grisalho, de barbicha, e olhos claros atrás dos óculos. Hoje quando lá cheguei, pontualíssima por ter arranjado lugar para o carro mesmo à porta, mal disse à recepcionista ao que ia, ouvi a voz dele:
“Pode entrar já!”.
Hoje não me apetecia vê-lo. No caminho, pensei até mudar de médico, para esta ser a última vez. Tenho alguma dificuldade em falar com gente assim tão séria e estava mesmo com vontade de lhe perguntar a razão de não se rir nunca. Se calhar foi transmissão de pensamento.
Recebeu-me com um ar muito mais simpático do que das outras vezes e um sorriso. E conversou mais e sorriu outras vezes ao longo da consulta. Se não me tivesse dito que estou muito melhor, desconfiava de tanta simpatia. Podia ser do tipo: “Coitada, está tão mal… Deixa-me lá ser simpático desta vez…”
E quando eu disse, ao ver os nomes na receita que passou: “Não acredito: a minha mãe também toma isso!”, ele respondeu: “Desculpe lá..., mas o colesterol não se trata com medicamentos pediátricos!” e ouvi-lhe pela primeira vez umas sonoras gargalhadas.


Moral da história:
Se eu fosse este bébé aqui ao lado, isto não se tinha passado!



(*) PDI = P---- da idade

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

As aparências iludem...








Cheias em Lisboa, ou....