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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Duas notícias de hoje

Injustiças e faltas de respeito são as duas coisas que mais me tiram do sério. Por isso, acho inacreditável isto: como é possível que se diga aos desgraçados que sofreram um terramoto, ficaram sem pessoas que lhes eram queridas, sem casa e sem nada, e que agora vivem em tendas da protecção civil "façam de conta que isto é um fim-de-semana num parque de campismo"? Sem comentários...
Apesar de tudo o que vemos e sentimos, continuo a acreditar que é nobre o serviço público. Pelo menos como o entendo e como tento prestá-lo. O problema é que muita pouca gente o entende assim, e muitos políticos também não querem saber. As mais das vezes, estes servem-se do serviço público em vez de servir o público com o seu serviço.
Gostei de saber que um actor do "Dr. House" troca a arte da representação pela arte do serviço público, mesmo com ordenado menos chorudo. Eu sei que é para trabalhar com o Obama, mas mesmo assim é de louvar, não acham?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O precário fio dos dias

Faz hoje uma semana, comecei a ir trabalhar de autocarro. Não o fazia há muitos anos. Ou melhor, não era uma prática diária minha desde os tempos da Faculdade, e, confesso, tirando o impacto dos cheiros que de manhã custam ainda mais a suportar, até nem é mau de todo. A sério que não custa muito. Custa-me mais pensar que, fora algumas saídas à noite, passei a ser uma condutora apenas de fim-de-semana. Andar de transportes nem é assim tão mau, quando, como é o meu caso, temos autocarro directo casa/trabalho e vice-versa, o tempo de viagem não ultrapassa os 10 minutos e podemos chegar num quarto de hora, no máximo.
Mas, como em quase tudo o que faço, tento tirar o melhor partido.
A leitura ajuda-me a abstrair dos meus companheiros de viagem. A mão que ponho de vez em quando debaixo do nariz ajuda-me a esquecer os cheiros que me incomodam. E, a propósito, tenho um problema com a visão. Perdão, graças a Deus, não tenho problemas de visão, tirando os que são próprios dos quarenta e tais. Tenho, sim, problemas com a “Visão”, a revista. Mas eu explico: tem artigos bem escritos e interessantes, por isso muitas vezes a compro, mas é daquelas revistas, que, depois de uma primeira vista-de-olhos e da leitura da crónica do António Lobo Antunes, acabam por ir para o “papelão” com muito por ler.
Agora, antes de sair de casa, pego numa revista ou num jornal que cá esteja, e aí vamos os dois. Mas, voltando à Visão, a que levei hoje era, imaginem, de 17 de Abril. E desta vez ainda nem lera a crónica do Lobo Antunes! Intitulada “O precário fio dos dias”, é como tudo o que escreve, espantoso! Para quem não leu, deixo-a agora aqui. E não posso deixar de agradecer ao escritor a companhia que me fez. Obrigada, António. E "Aguente-se"!
Se andasse de carro, talvez já tivesse ido pôr as revistas antigas ao eco-ponto, e provavelmente teria perdido esta crónica!

sábado, 8 de março de 2008

Insignificâncias...

A Ana tinha-me pedido e eu já não me lembrava. Sorry. Mas a Mad, que tinha a mesma incumbência, recordou-ma há dias.
Pedem-me que liste 6 insignificâncias sobre mim e que passe esta cadeia ou outros 6 blogueiros, mas as regras servem também, como sabemos, para ser quebradas. Por isso, e porque todos os blogueiros que conheço já devem ter recebido este desafio, não o passo directamente a ninguém. E também não digo “quem quizer, pode fazê-lo” porque da última vez que fiz isso ninguém me respondeu…
Podia dizer que gosto de T-shirts brancas ou que me sinto nua sem brincos e
que também gosto do Verão por poder andar sem meias; que faço “romances” imaginários em que os protagonistas são a empregada do café que diz “palmiérzinho” ou o condutor do carro do lado no semáforo que tira macacos do nariz; que me enerva ter de aturar gente burra e incompetente; que há cheiros da minha infância que continuam gravados na minha memória, como o do pão, de manhã em casa da avó.
Mas não é isso que me apetece. O que me apetece é fazer esta lista, que tem 7 pontos e não 6, por nenhuma razão em especial, mas só porque não me apetece apagar nenhum:

1. Gosto de rir e de pessoas com humor. Tenho mesmo dificuldade em lidar com gente sem ele. O humor, e o riso que ele sempre provoca, torna tudo mais fácil.

2. Gosto de sol e do Verão, e adoro dias de sol no Inverno, e longas conversas pela noite dentro, de preferência à lareira.

3. Gosto de antecipar o que vai ser bom e, depois de ter sido, fazê-lo perdurar; tento nunca pensar nas coisas chatas antes do tempo e faço por esquecer logo o que foi mau. Não é fácil, mas às vezes consigo.

4. Gosto de abraços e de beijos das pessoas de quem gosto, especialmente dos do meu filho sempre que chega, ou dos beijinhos que me dá mesmo a dormir como quando era bébé.

5. Gosto de pessoas corajosas, que lutam por aquilo em que acreditam; e gosto de acreditar que também sou assim.

6. Não suporto prepotências de qualquer ordem. Não há estupidez ou incompetência que justifique tantas vezes faltas de respeito pelos outros.

7. Acredito mesmo que estamos aqui para sermos felizes. Por isso, embora não consiga resistir a dizer mal do que me desagrada, valorizo aquilo que para mim é realmente importante.


E apesar de não gostar de cadeias, é sempre bom sinal quando alguém conta connosco, mesmo que seja para falar de insignificâncias…




sábado, 2 de fevereiro de 2008

Em casa

Estou fechada em casa há 5 dias. Ao todo, estive fora, no máximo, 12 horas e 15 minutos: 9 horas no primeiro dia e 3 no segundo, 10 minutos no quarto e 5 minutos hoje, respectivamente no hospital, no médico, numa corrida à farmácia, e, finalmente para tomar um café e comprar o Expresso.
Ou seja, isto tem vindo a melhorar. Com a evidente diferença do teor da minha saída de hoje em relação às dos dias anteriores, posso ter esperanças de ir passear um dia destes.
O meu tempo tem sido passado a tratar da minha mãe, o que faço com muito gosto. Cházinhos, remédios, a cama, que é preciso refazer, esticar, ajeitar as almofadas… No entanto, tratar, neste caso, significa também ser uma dona de casa zelosa e eficiente: tratar das refeições, arrumar a cozinha, pôr roupa a lavar, estendê-la, apanhá-la, tirar a loiça da máquina, arrumar a loiça, arranjar o tabuleiro, etc, etc… et on recomence... Pelo meio de tudo isto, um destes dias, achei que as cortinas do quarto da minha mãe precisavam de ser lavadas. Para o quarto não ficar sem cortinas enquanto se lavavam, resolvi então lavar as do meu quarto, que são iguais. À noite, persianas fechadas, subi ao escadote – e até num escadote tenho vertigens, tirei as cortinas e substituí-as pelas já lavadas. E a minha Maria, que só volta na 5ª feira...
Quem nunca se queixou de trabalhar fora de casa? Quantas vezes desejámos ficar em casa sem fazer nada ?
Mas é possível ficar em casa e não fazer nada ?
Tenho pensado imensas vezes nestes últimos dias nas desgraçadas das donas de casa que têm de fazer tudo isto e muito mais, que não têm sequer Maria, que têm de tratar de tudo, e mais, muitas vezes, de uma ranchada de filhos, de maridos chatos, machistas, brutos, que não fazem nada em casa e ainda por cima as mal-tratam... Afinal, não é assim tão mau estar aqui. Podia ser bem pior.

E a minha mãe está melhor, graças a Deus.

Ah, é verdade. E ainda arranjei tempo para arrumar papelada que ameaçava ganhar vida própria cá em casa. Odeio papéis. Isto é, só gosto de alguns: cartas de amor e cartas de amigos (cada vez menos comuns por culpa dos e-mails), e papéis brancos ou de cores, intocados, daqueles em que apetece mesmo escrever. Odeio cartas de bancos, de seguradoras, da água e da luz e outras que tais. Em primeiro lugar, significam quase sempre despesas. Em segundo lugar, têm a particularidade fantástica de, na maior parte das vezes, dizerem coisas que o comum dos mortais não percebe à primeira. Já cheguei a ir a uma seguradora com uma carta que recebera de lá, pedir para ma traduzirem para português, dizendo que acho inadmissível que a linguagem utilizada seja tão estupidamente impenetrável. Sinto-me burra de cada vez que me escrevem assim. O que sentirá a minha porteira, que diz IMEN em vez de INEM, se receber uma carta daquelas?

A propósito de papéis, lembrei-me do meu trabalho. Aí sim, tenho de ter os papéis em ordem… Mas só vale a pena pensar nisso na próxima 4ª feira, porque 3ª feira é Carnaval e 2ª também não se trabalha. O patrão deu “ponte”. A empresa está muito bem e recomenda-se: não há défice nem problemas de produtividade.

Obrigada, senhor Dr., por eu não ter de gastar um dia de férias depois de amanhã.

E, já agora, se a empresa fosse sua, mesmo sua, e o senhor fosse mesmo o dono, também havia “ponte”?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Será possível?

Este homem tem o condão de me irritar desde que passou a "andar" por aí, com a sua péssima dicção, a sua boçalidade arrogante, o seu ar pseudo-vanguardista, e, ultimamente, o boné virado para trás, preto como tudo o resto. Mas li algures que Joe Berardo, sim, é desse mesmo que falo, a propósito dos últimos acontecimentos à volta do BCP, defendeu há dias que é necessário que haja transparência, para bem do país.

E disse mais: "O mal deste país é grande parte dos gestores não perceber nada da área onde trabalham. ... As pessoas não podem falar quando têm telhados de vidro. ...Os gestores são pagos para gerir os dinheiros investidos e devem ser-lhes pedidas explicações quando não o fazem da melhor forma. Se não dirigem bem vão para a rua. É simples."

Instintivamente, mudei uma palavra: substituí dinheiros investidos por dinheiros públicos. E aquelas afirmações fizeram ainda mais sentido.
O pior é que, nesse caso, as últimas frases não são verdade. Ninguém pede explicações a quem gere mal o erário público. Ninguém os manda para a rua. Não é assim tão simples.

Muitos dos que dirigem o país são incompetentes ou pouco sérios, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Para cúmulo, são quase sempre arrogantes, e de uma leviandade que dói.
A maior parte dos que “são dirigidos”, ou não percebem nada, ou não querem saber, porque o que interessa é mesmo e só o ordenado ao fim do mês.

A mim, o que mais me assusta, é que cada vez mais gente vai ficando indiferente a este estado de coisas.

Há dias, em conversa com um amigo, chegávamos à conclusão que o que actualmente vivemos é, acima de tudo, uma enorme crise de valores.

Nós continuamos a queixar-nos, a dizer mal, a tentar não ver tanta leviandade. O país a ficar cada vez mais pequeno, mais triste. E os muitos que sentimos isto somos poucos para fazer mais do que criticar.


Se me dissessem que o Berardo daria o mote para um post meu aqui no Vou Pelo Sonho, eu achava que estavam a gozar. Mas deu! Ao que nós chegámos!

domingo, 27 de janeiro de 2008

Bons Sonhos

Faz hoje uma semana que comecei esta aventura a que chamei “Vou pelo Sonho”. Este “sonho” já me deu muitos bons momentos: de emoção, de reflexão, de diversão. Espero sinceramente proporcionar bons momentos também a quem aqui me visita.

Alguns haverá que procuram outras coisas, como alguém que entrou aqui à procura de “gente louca” e bateu com a porta 1 segundo depois. A loucura que procurava era certamente menos saudável do que a se cultiva neste blog…

Hoje, para variar, vou-me deitar mais cedo. Amanhã é 2ª feira, a fatídica, e vou tentar não começar outra semana de trabalho podre de sono e com enorme falta de paciência para o que me espera. Que isto do “sonho” tem-me feito deitar tardíssimo.

Durmam bem. Bons Sonhos!

domingo, 20 de janeiro de 2008

Foi hoje!

A todos os que, há cerca de um ano, me incitam a ter o meu próprio cantinho na blogosfera, CÁ ESTÁ ELE!
Finalmente, decidi-me a deixar-me de esquisitices e a arrancar sozinha. E afinal, como me diziam todos, foi mais fácil do que pensava.
Prometo continuar a visitar-vos nos vossos blogs, até porque, como sabemos, isto é viciante, mas agora conto ainda mais convosco, porque estão todos convidados, sem dia nem hora marcada, e eu estarei aqui à espera das vossas visitas.
Não precisam de avisar nem de tocar à campaínha. É só aparecer.
Esta casa é minha mas também é vossa e eu adoro receber os amigos.