quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ano Novo

Não faço aqui um rol de todos os meus desejos para 2009, porque a minha prima Madalena, completamente "Mad", já o fez, e depois de ler o post dela, o meu não teria graça nenhuma. Digo apenas que desejo a todos o mesmo que gostaria para mim:

UM BOM ANO !!!
E riam-se muito, não poupem nas gargalhadas, nem nos beijos e abraços às pessoas de quem gostam (três coisas fantásticas, e ainda são de borla!).

Anita na Quinta 2

Neste Natal, nasceu na Quinta um cordeirinho. Só o vi hoje. É preto e tem a ponta do rabo branca e uma estrelinha também branca na testa. Já lá anda lá aos pulinhos atrás da mãe.

E, a propósito, olhem um presente que o meu filho me deu este Natal, porque não quer que me falte nada:

Quando se abre o livro encontra-se a cavalariça, o estábulo, a pocilga, o galinheiro e a coelheira da Quinta da Anita a três dimensões. Ah, e lá dentro ainda há um livrinho para conhecer os animais bébés, e acrescentar. Já estou a ficar muito mais culta!

No entanto, este livro não tem nem uma letra, coisa que me faz alguma falta. Por isso, agora vou continuar a ler "O Jogo do Anjo" do Carlos Ruiz Zafón, também presente de Natal, da minha Mãe, em que uma das personagens tem precisamente o nome do meu Pai. Coincidência?

Boa noite. Durmam bem.




domingo, 28 de dezembro de 2008

Anita na Quinta

Na 3ª feira passada, antevéspera de Natal, finalmente, deixei de fazer o mesmo caminho de manhã, para o mesmo trabalho, percorri uma distância maior (nada é perfeito, não é?) e comecei a trabalhar no sítio para onde me tinham convidado em Agosto. Passaram 4 meses de espera, dificuldades de vária ordem para sair de onde estava, enfim... Uff, acabou-se! Vai ser mesmo uma nova vida!

Estou muito contente. E, amanhã, é assim que vou chegar ao meu novo trabalho:

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Natal



Desejo a todos um SANTO NATAL, cheio de Amor, Saúde e Paz.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Maus chefes

Mandaram-me hoje isto por e-mail. É o editorial, de 26/11, do "Destak", da autoria de Isabel Stilwell. O título é sugestivo, e nada que muitos de nós em algum momento não tenha já temido:
"Maus chefes provocam ataques de coração".
Mas provocam outras coisas, que também fazem mal: despesismo imoral, desperdício de recursos, etc., etc., etc.
Não resisto a deixar aqui o texto:

"Faz muito bem em ir ao ginásio, seguir uma dieta regrada, em evitar tabaco,
álcool e por aí adiante. O seu coração agradece. Mas se quer mesmo garantir
a sua sobrevivência, e apesar da dificuldade em encontrar novos empregos,
fuja a sete pés dos chefes incompetentes e injustos, porque o efeito desta
gente sobre a sua saúde pode revelar-se mortal. Pelo menos é o que diz o
estudo de uma equipa sueca que acompanhou mais de 3 mil trabalhadores
homens, com idades entre os 18 e os 70 anos.

A primeira tarefa pedida às cobaias foi a de que avaliassem a competência e
o carácter de quem geria o seu trabalho. Depois, durante uma década, a sua
saúde foi sendo avaliada, registando-se neste período 74 casos de
empregados vítimas de problemas cardíacos graves, nalguns casos até fatais.
Do estudo à lupa de todo este trabalho, foi possível perceber que existe,
de facto, uma relação directa entre a doença e os maus chefes.

Perceberam também que os efeitos secundários dos chefes maus era
independente do tipo de trabalho desempenhado, da classe social a que
pertenciam, das habilitações que possuíam e inclusivamente do dinheiro que
tinham na sua conta bancária.

Descobriram, ainda, que o efeito que um incompetente a mandar provoca é
cumulativo, ou seja, se trabalhar para um idiota aumenta em 25% a
probabilidade de um enfarte, essa probabilidade crescia para 64% se o
trabalhador se mantivesse naquela situação por mais de quatro anos.

A explicação é relativamente simples: quando alguém se sente desvalorizado,
sem apoio, injustiçado e traído, entra em stress agudo que leva à
hipertensão e a outros distúrbios que deterioram a saúde do trabalhador.
Daí a importância do apelo que estes especialistas fazem de que as
estruturas estejam atentas e «abatam» rapidamente os chefes que não merecem
sê-lo."
E o que eu gostava mesmo é que alguém olhasse para este texto e para o estudo a que se refere (que não consegui encontrar) e "abatesse" mesmo essa gente, antes que mais de nós tenhamos ataques de coração ou que o nosso país se afunde de vez...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Not too late for Poetry


Que amor! Tadinho do senhor...


Lembrei-me, por causa deste filme, de um texto chamado "A Blissful Life" que li há dias, no Lord Broken Pottery ,sobre a idade e a felicidade.

Como todo o resto que conheço da escrita do seu autor, é pura literatura. Ou melhor, pura prosa poética(*), quase sempre macia, aveludada, doce. E não é só porque o Lord escreve em "português com açucar", como Eça de Queirós chamou ao português do Brasil (foi o Eça, não foi?). Só pode ser porque o autor é fantástico, e escreve assim porque ama a nossa língua portuguesa, e só quem a ama pode tratá-la assim com tanta ternura e deixar que esta passe para quem lê.

Recordo agora outro post deste blog, um dos primeiros que nele li, e que me fez lembrar "O Meu Pé de Laranja Lima", também da autoria de um escritor brasileiro, José Mauro de Vasconcellos, um dos primeiros livros sem figuras que li (há 300 anos, mais coisa, menos coisa), e o primeiro em "português com açucar", muito antes de ter lido Jorge Amado, percebido Vinicius, ou descoberto Carlos Drummond de Andrade. Pois bem, o autor do Lord Broken Pottery também é escritor.

O texto a que me referia ainda agora é de 21 de Fevereiro, e chama-se "As Time Goes By". É delicioso. Acaba assim: "Adoro quando o passado chega de mansinho pregando peças". Leram? Lindo, não é?

Este é um dos meus blogues favoritos, desde que o descobri através de outro, a Porta do Vento, da Ana, logo ao princípio da minha entrada na blogosfera.

(*) Adoro esta aliteração! E escolhi, convita, etiquetar este post de "Poesia".

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Gaivotas

A propósito de gaivota, aqui fica esta Gaivota, de Alexandre O'Neil, pela voz de Carlos do Carmo:

(já ouvimos aqui este fado cantado pela Amália)

E já agora, mais gaivotas, na voz de Neil Diamond. "Be", a recordar o filme "Jonathan Livingston Seagull", que encheu cinemas de adolescentes, quando eu era uma.


A palavra gaivota, sabe-se lá porquê (!), faz-me lembrar o mar, praia, passeios de barco, muitas gargalhadas, férias e... o Pica!

Distracções

Um marinheiro e um pirata encontram-se num bar e começam a contar as suas aventuras nos mares. O pirata tem uma perna de pau, um gancho e uma pala sobre um olho. Curioso, o marinheiro pergunta-lhe:
- Por que é que tens essa perna de pau?
O pirata explica:
- Nós estávamos no meio de uma tormenta no mar. Uma onda enorme passou por cima do navio e atirou-me ao mar. Caí no meio de um monte de tubarões. Lutei contra eles e consegui voltar para o navio, mas um tubarão conseguiu abocanhar a minha perna.
- Que história! Mas e o gancho? Também foi culpa do tubarão?
- Não, o gancho foi outra história. Nós estávamos a abordar um barco inimigo e, enquanto lutávamos, fui cercado por quatro marinheiros. Consegui matar três, mas o sacana do quarto cortou-me a mão.
- E a pala no olho?
- Uma gaivota cagou-me no olho.
- E perdeste o olho só por causa da gaivota?!?!
- Era o meu primeiro dia com o gancho...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

IUPIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!

Este fim-de-semana vai-me saber ainda melhor que os últimos.

Bom fim-de-semana!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Grande é quem sabe ser pequeno

"grande é quem sabe ser pequeno,
forte é quem assume as fragilidades e medos,
feliz é quem ama sem medida,
vencedor é quem não desiste apesar das derrotas"
Estas palavras não são minhas. Mas não me importava que fossem. Quem as escreveu foi um amigo meu, que hoje faz anos. Já falei nele aqui (Vd. ponto 7.)
Acho que não se importa que tenha usado uma citação sua.
Muitos PARABÉNS pelos 43!

Falta de visão

Por causa de umas coisas que eu cá sei e que de alguma maneira abordo nos dois últimos posts, que, por sinal, aparentemente não teriam nada em comum entre si, sinto que posso ter "emburrecido" nos últimos tempos e até estou a pensar inscrever o meu cérebro na ginástica. A sério, e também estou a ver muito pior ao pé, principalmente desde o Verão. Já marquei Oftalmologista. Será que a próxima consulta vai ser assim?

Provérbios, a propósito...

UNS

A quem do seu foi mau despenseiro, não fies o teu dinheiro.
Boa fama granjeia quem não diz mal da vida alheia.
Dá Deus nozes, a quem não tem dentes.
Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
Muito esquece a quem não sabe.
Não hajas dó de quem tem muita roupa e faz má cama..Não tira bom resultado, quem vai onde não é chamado.
Ofende os bons quem poupa os maus.Pelo andar da carruagem vê-se logo quem lá vai dentro.
Quem abana, nem sempre cai.Quem acompanha com coxo, ao terceiro dia coxeia.
Quem ao moinho vai, enfarinhado sai.
Quem boa cama fizer, nela se há-de deitar.Quem brinca com o fogo queima-se.Quem cabritos vende e cabras não tem, dalgum lado lhe vem.
Quem com farelos se mistura, porcos o comem.
Quem com porcos sonha, até o mato lhe ronca.
Quem come fel, não pode cuspir mel.
Quem desconfia, não é de confiar.
Quem é desconfiado não é sério.
Quem em ruim terra nascer, sempre para ela há-de pender.
Quem fala no barco, quer embarcar.Quem faz mal, espere outro tal.
Quem mais alto sobe, ao mais baixo vem parar.Quem mais jura, mais mente.Quem mal anda, mal acaba.Quem mal entende, mal conta.
Quem muito apalpa pouco acerta.
Quem muito se abaixa, o cu se lhe vê.
Quem namora pelo fato, leva o Diabo ao contrato.
Quem não confia, não é de confiar.Quem não cria, não tosquia.
Quem não governa a lenha, não governa a casa que tenha.
Quem não quer ser lobo, não lhe vista a pele.Quem não sabe ser caixeiro, que feche a loja.Quem não sabe, é como quem não vê.
Quem não tem vergonha todo o mundo é seu.
Quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita.
Quem tudo quer, tudo perde.
Quem vier atrás, feche a porta.


OS OUTROS

Quem cala, consente.
Quem diz a verdade, não merece castigo.
Este mundo é uma bola; quem anda nela é que se amola.
Manda quem pode. Obedece quem deve.
Muito atura quem precisa.
Não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu.
O trabalho do menino é pouco, mas quem o despreza é louco.
Quem espera sempre alcança.
Quem espera, desespera.
Quem está de fora, não racha lenha.
Quem está mal, que se mude.
Quem não deve, não teme.
Quem não se sente, não é filho de boa gente.
Quem porfia, mata caça.
Quem tem cu tem medo.

Tal como temia, o resultado é: UNS-1 (um) / OS OUTROS-0 (zero).
Pois é, é sempre a mesma coisa. E "quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão". Essa é que é essa!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Reclamações

Esta é certamente genuína, como o são a maior parte das que os cidadãos têm o direito de fazer. Aquelas que vejo todos-os-dias-há-um-ano-e-três-meses-e-sete-dias-sete-horas-por-dia-e-se-Deus-quiser-vou-deixar-de-ver-em-breve são parecidas. Com a diferença que raramente me dão vontade de rir. E, sim, estou a falar de reclamações.
(este vídeo foi-me mandado hoje pela Elisa)
Mesmo quando são apresentadas de forma hilariante, merecem ser analisadas seriamente e podem contribuir para eventuais melhorias para todos... Será que os responsáveis lá do sítio pensam assim, ou... estão-se nas tintas?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Música para sonhar

Hoje logo de manhã ouvi esta música, que adoro, e achei que era a música deste dia: "They can’t take that away from me", de George and Ira Gershwin.
Depois de ouvir várias versões e de hesitar se punha aqui o Tony Bennet, Rod Stewart, ou Jane Monheit & John Pizzarelli, acabei por escolher o próprio Frank Sinatra.
No meio de toda esta "pesquisa" encontrei outra vez o "Somewhere over the Rainbow", que é uma das minhas músicas e desta vez fica aqui deliciosamente cantada por Eva Cassidy. É esta música que me vai embalar daqui a bocadinho.

Bons sonhos.

Boa disposição matinal

Hoje, quando acordei, encontrei este recado ao pé da porta:

“WAKE ME UP BEFORE YOU GO GO, PLEASE”

Apesar de nunca ter gostado especialmente desta música, isto pôs-me bem disposta e andei o resto do dia a cantarolá-la.

Deixo aqui esta “pérola” dos anos 80, que encontrei no Dailymotion.

Se o meu filho não tivesse uma cultura musical bastante maior que a sua idade, teria escrito qualquer coisa como “Mãe, não se esqueça de me acordar.” Mas assim foi muito mais divertido, não acham?
Vou-lhe pedir que amanhã me dê o mote para outra música, senão não me livro dos Wham, que se preparam para continuar durante o resto da noite a cantar dentro da minha cabeça.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Viram?


RIR é mesmo importante

Espreitaram, e encontraram a casa escura, sombria, portadas quase fechadas. Ouvia-se música e alguém ali, melancolicamente, tentava gerir recordações e muitas histórias... Muito poucos se aventuraram a entrar. Mesmo os que o fizeram, sairam logo de seguida, encostando a porta sem fazer barulho , discretamente, para não incomodar, ou para evitar dizer aquelas coisas que se dizem quando alguém está triste.
Dias depois, de mansinho, entraram de novo. A casa tinha sido arejada, o sol entrava pelas janelas escancaradas. A dona da casa apareceu a rir.
Hoje, foi bom ouvir alguém dizer-me "obrigado" por ter voltado a provocar sorrisos aqui no "Sonho".
Eu é que agradeço. A sério.
Aos que passaram discretos, aos que entraram só para dar um beijo, aos que nem se aventuraram a mostrar-se, aos que estavam só à espera que passasse a onda para rirmos juntos outra vez, e que, agora sim, também me fazem rir, OBRIGADA.
Beijinhos :)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Uma semana diferente

Há pouco, aí em baixo, escrevi:
"Continuo a conseguir rir-me de quase tudo".
A propósito, na 6ª feira passada, propus aos meus colegas de gabinete que esta semana fosse diferente. Para isso, em cada dia, poderíamos variar:
2ª feira - falar entre nós aos gritos;
3ª feira - falar com "sotaque", por exemplo de Viseu;
4ª feira - deslocar-nos pela sala a chinelar;
5ª feira - cantar em vez de falar (com excepção para telefonemas de trabalho);
6ª feira - andar aos pulos dentro da sala, em sinal de júbilo pelo fim-de-semana que aí vem.
Ontem, 2ª feira, fiquei rouca logo ao princípio da manhã.
Hoje, como ninguém alinhou por tempo suficiente no combinado, fiz de tudo um pouco: falei com "Xxxxs" enquanto atravessava a sala aos pulos, a chinelar, e cantei aos gritos "gosto de ti até à lua e da lua até aqui" enquanto o André Sardet cantava este inaudito refrão na telefonia. Nem assim os coleguinhas se convenceram que deveríamos ter passado todo o dia a falar com sotaque.
Mas rimo-nos bastante.
Amanhã, vamos ver o que acontece. Pelo sim pelo não, vou levar uns sapatos velhos que me estejam largos, senão não consigo chinelar. Ou então levo mesmo umas havaianas. Devia era ter pensado nisto mais cedo. É que, para isso, já está imenso frio!

Coisas boas

Como já repararam, não tenho andado em boa maré... Hoje alguém me disse: nos últimos tempos, o teu blogue quase parece uma página de necrologia. Pois é. Também acho. E já há dias andava para listar aqui algumas coisas boas que, no meio de tudo isto, me têm feito perceber que, afinal, tenho imensa sorte. Aqui ficam:
1. Estou viva!
2. Tenho o meu filho outra vez em casa depois de cinco anos a quase 300 kms!
3. Ele está FELIZ no seu novo curso de Cozinha!
4. Fez 24 anos no sábado passado e almoçámos um robalo fan-tás-ti-co, mesmo em cima do mar!
5. Nasceram três bébés lindos: a Clarinha, a Caetana e a Helena. Como eu já gostava delas antes de nascerem, porque gosto muito dos pais, estou radiante no meu papel de "tia-avó"!
6. Dentro de pouco tempo, nascerão mais três: a Carolina, o Manel e o Francisco!
7. Voltou para Lisboa um amigo meu que estava há anos fora. É o Padre mais santo que conheço e não é nem um bocadinho beato. Acho que me estava a fazer alguma falta.
8. Regressou do País de Gales o meu primo Nuno, quase um ano depois de ter ido para lá.
9. Adoro os bocadinhos que passo com o meu "aluno" Filipe, às voltas com o alemão.
1o. Continuo a conseguir rir-me de quase tudo.
Fico aqui com 10 coisas para me animar. E, quem sabe, com 10 motivos para 10 novos posts. É isso! Acho que vou já começar.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Your songs








"Your Song" e "Don't let the sun go down on me", duas grandes músicas. Das maiores de Elton John, para nós, que as dançámos tantas vezes.
Tenho que parar com isto. Vou parar. ~

Mas de vez em quando, só de vez em quando, não estranhem que vá pondo aqui outras músicas de que me tenho lembrado nestes últimos dias.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

If I saw you in heaven





Would you know my name
If I saw you in heaven
Will it be the same
If I saw you in heaven
I must be strong, and carry on
Cause I know I don't belong
Here in heaven
Would you hold my hand
If I saw you in heaven
Would you help me stand
If I saw you in heaven
I'll find my way, through night and day
Cause I know I just can't stay
Here in heaven
Time can bring you down
Time can bend your knee
Time can break your heart
Have you begging please
Begging please
Beyond the door
There's peace I'm sure.
And I know there'll be no more...
Tears in heaven
Would you know my name
If I saw you in heaven
Will it be the same
If I saw you in heaven
I must be strong, and carry on
Cause I know I don't belong
Here in heaven
Cause I know I don't belong
Here in heaven

domingo, 5 de outubro de 2008

Gonçalo

Quando acabou, imaginámo-nos, daí a muitos anos, a partilhar o mesmo quarto num lar de terceira idade. No fim, poderíamos ficar juntos outra vez , conversar e rir muito, ajudar-nos um ao outro com as bengalas ou os andarilhos, e até embirrar um com o outro de vez em quando, como velhinhos que seríamos então.
As nossas vidas mudaram.
Hoje, depois de tanto sofrimento, foste embora, procurando noutro lado o que aqui não tinhas. E eu sei que vais encontrar tudo o que te faltou. Se não acreditasse que a vida não acaba aqui, teria passado a acreditar hoje mesmo. Simplesmente porque tu merecias mais.
Deus, que parecia ter-te esquecido, toma agora conta de ti. Com muito mais cuidado do que é possível a qualquer mãe ou pai, com muito mais carinho do que qualquer filho é capaz, com uma paixão bem mais forte do que qualquer mulher, amante ou namorada, por mais apaixonada que esteja. Porque embora não parecesse, Deus gosta de ti incondicionalmente, Gonçalo.
Agora, sim, meu querido, podes descansar. Estás finalmente em paz.
Até sempre, Gonçalo.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Obrigada, M.

Morreu ontem o M.
Conheci-o há cerca de 15 anos e depressa passei a considerá-lo da família. Era uma presença calma, mas bem humorada. Durante anos, foi a minha companhia nas saídas da mesa para fumar um cigarro lá fora. Depois, adoeceu, e teve de deixar de fumar. Passei a ter "vergonha" de fumar à sua frente.
Vai fazer muita falta nas nossas reuniões de família.
Fica bem, M.
Agora não vais ter de tomar mais remédios, nem vais voltar a ter falta de ar.
Obrigada pelas nossas conversas sempre bem dispostas, e também pela palavra que me "ofereceste" este ano:
“encabrazinada”

*Nunca tinha ouvido esta palavra. Aprendi-a ontem com o M., e avisei-o que a ia adoptar. Além do mais, a expressão “p--- q—p----“ às vezes já não me alivia. (Escrevi isto em Fevereiro deste ano, aqui.)

sábado, 27 de setembro de 2008

Nota

A quem achou o "post" abaixo de mau gosto, porque baseado em preconceitos, clichés, piadas parvas sobre as opções sexuais de cada um, peço desculpa.

Numa altura em que não tenho assim tantas coisas que me façam rir como gosto, posso precisar de ir ao "meu arquivo pessoal de parvoíces" buscar coisas para me animar. Foi o caso.

E já agora, sou só eu que acho que o Ministro tem qualquer coisa do Valentim Loureiro? Será o penteado?

Pronto, lá estou eu a desconversar.
A propósito, se eu estiver muito tempo sem dizer disparates, avisem a minha família. Não devo estar nada bem. Obrigada.

Beijinhos

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

"STRAIGHT"


No passado dia 5 de Setembro, na TSF, ouvi excertos da conferência de imprensa em que Condoleezza Rice e Luís Amado (o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal) falavam sobre a viagem daquela à Líbia (Não consegui encontrar o audio da parte mais gira).

Dei uma gargalhada bem sonora ao volante quando o “nosso” Ministro disse:
“I have, as you know, a very straight relation with the leader of Libya.”
Ainda bem que explicou que a sua relação com Kadhafi é “straight”*, não fosse a gente pensar que era uma relação “gay”…


* Ok, eu sei que “straight” não quer dizer só isto, mas que achei piada, achei. E estranhei que ninguém tenha gozado com isto.
E só não ponho aqui uma fotografia do autor da frase, porque a imagem dele me "encanita".

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Verso e reverso

Onde se lê:
"Acreditamos na importância da mobilidade das pessoas, sabemos como é bom poder mudar, aceitar novos desafios, blá blá blá, mas você é excelente e não a podemos deixar sair sem que assegure a sua substituição, blá blá blá, por que precisamos de alguém com o seu excelente perfil e a sua enorme capacidade de trabalho..., blá blá blá..."
Leia-se:
"Gostámos muito quando nos deixaram sair de onde estávamos antes para podermos exercer este poderzinho tal como o entendemos, mas nós é que mandamos, você incomoda-nos quando nos diz o que pensa, na maior parte das vezes confrontando-nos com as nossas fragilidades, e por isso, agora só para chatear, aguente-se, porque não nos apetece fazer-lhe a vontade."
Desculpem lá, claro que não é convosco, é injusto...
Irra! Percebem agora porque é que eu ando irritada?
Elas não matam, mas moem, não é?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Boa noite

Durmam bem. E bons sonhos.
É só, sim.
(Não dá para mais)

domingo, 14 de setembro de 2008

Não parece, mas já cá estou!




Acabaram as férias de Verão. Este ano, a nortada e a água gelada não me deixaram aproveitar a praia como gosto. O mais tardar às cinco, já não aguentava mais vento e fugia. Em 15 dias não apanhei nem um daqueles longos fins-de-tarde de calma em que temos preguiça de voltar a casa e saímos da areia já com as luzes do paredão acesas.


Talvez por isso, não fechei ainda a porta das férias, como se esperasse que, de repente, o calendário fizesse "rewind" e eu pudesse recomeçá-las, podendo agora tomar tantos banhos como gosto, nadar, e ficar na praia já quase deserta e sem barulho até ao anoitecer.


Voltei a Lisboa há duas semanas mas não o "assumi" ainda. O trabalho já começou, mas preparo-me para mudar, depois de um convite para coisas mais úteis e aliciantes recebido dois dias antes de partir para os Algarves.


Tenho passado os serões a fazer um casaquinho cor-de-rosa para a bébé que chegou hoje (ontem, porque já passa da meia-noite), precisamente. A Clarinha já nasceu! Também o tricot me tem afastado daqui. Estou uma verdadeira "tia-avó"!


Por tudo isto, este blogue tem estado quieto, calado, e nem aos blogues dos amigos tenho ido. Só hoje aqui vim com algum tempo e vi os últimos comentários a chamarem-me para este mundo chamado blogosfera:


Duas novas leitoras/comentadoras, a Joana, "Preciosa", que quer que conte as férias em que estivémos juntas - haverá assim alguma coisa de especial a contar, que eu não dei por nada? -, e a Elisa, uma grande e velha amiga, que me aconselha a escrever um livro, imaginem! Vou mas é aconselhar-lhe os da prima Ana, é mais seguro! Pedem-me que volte, que deixe de fingir que ainda estou longe. A Ana e a Madalena também. Que queridas, todas! E ainda nem estive com a Mad, que, finalmente, já voltou do Brasil.


Se soubessem como estou preguiçosa! Mas foi tão bom ver os vossos comentários...


Agora sim, vou voltar.

Uma das últimas fotografias da minha "sobrinha-neta" Clarinha e da mãe Inês, tirada em Agosto. Esta é maneira possível de lhes dar os parabéns a estas horas...

Mais uma vez usei fotografias "roubadas" à minha querida sobrinha Felipa (eu sei que ela não se importa)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Preciso urgentemente...

de férias.

Passo horas e horas todos os dias à frente do computador e nem me sobra tempo para o meu Sonho, ou para visitar outros blogues. Por isso tenho andado fugida.
Por uns dias, vou libertar-me do meu mundinho-de-todos-os-dias-de-muito-trabalho-igual-para-salário-muito-curto, descansar, tentar esquecer aquela gentinha-pequena-incompetente-inútil-e-mal-formada que tem deixado em mim marcas feias quase todos os dias de trabalho dos últimos tempos, sair da cidade, descansar, mergulhar no mar se a chuva não tiver vindo para ficar, ter tempo para mim e para os amigos.
Estou tão cansada que acho que desta vez vou conseguir dormir na praia, que é coisa que raramente consegui. Já me estou a imaginar a começar a ouvir os sons da praia cada vez mais baixo, cada vez mais ao longe, gozar o torpor, até me deixar vencer pelo sono.
Até à volta! Fiquem bem.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

“Não digas nada, dá-me só a mão.”

Nem sempre foi assim.



*O título deste post foi tirado da crónica "Migalhas" de António Lobo Antunes, publicada na Visão a 10-Mar-2008. Migalhas também teria sido um bom título.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Já 5004!

5004 é o número de pessoas que aqui vieram desde 20 de Janeiro deste ano, dia em que este blog nasceu.
Ainda hoje alguém apareceu procurando "seios perfeitos". Outro buscava "sonhar com baratas". De facto, há gostos para tudo.
Espero que se divirtam mesmo aqueles que aqui vêm por engano.
Para mim, embora menos assídua, continua a ser um prazer partilhar convosco as coisas de que gosto, que me divertem ou que me preocupam, e, enfim, sonhar acordada aqui no meu Sonho.

Consumismo

2008 Año del consumismo
ALÉGRESE!

SEGÚN LOS MAS ENCUMBRADOS EXPERTOS EN ECONOMÍA,
MARKETING Y TENDENCIAS DEL CONSUMIDOR,
EL 2008 SERÁ EL AÑO DEL...
C O N S U M I S M O

TENDRÁ QUE QUEDARSE:
CONSU-MISMO COCHE
CONSU-MISMO SUELDO
CONSU-MISMO TECHO
CONSU-MISMO VESTUARIO
Y CON MUCHA SUERTE
QUIZÁS CONSU-MISMO TRABAJO!
*Recebido por e-mail.

Ausência

Valeu a pena a ausência, para

  1. organizar a festa dos 80 anos da minha Mãe, que juntou em sua casa 50 pessoas, família e amigos mais próximos, num jantar que foi um sucesso e que acabou às 4 da manhã;
  2. perceber que afinal aguento estar de pé durante 12 horas por dia durante 6 dias seguidos, e que sobreviveria se em vez de trabalhar num escritório fosse ajudante de cozinheira, decoradora, florista, mestre de cerimónias, relações públicas, e tudo isto quase em simultâneo;
  3. descobrir que, aos quase 49 anos, tenho menos resistência física que a minha Mãe e, depois de voltar ao trabalho na 2ª feira, ter que “meter” mais 2 dias de férias do que o previsto, para descansar…
  4. decidir que quero chegar aos 80 anos como a minha Mãe, fantástica, bem disposta e cheia de amigos de todas as idades!


    Também valeu a pena voltar à blogosfera e maravilhar-me, logo desde a primeira linha, com o post de ontem da Falabarata. Que beleza! Não deixem de ler!



terça-feira, 1 de julho de 2008

Wonderful Paolo Conte

Ando há que tempos para pôr aqui o Paolo Conte a cantar. É hoje (acabo de descobrir que há um anúncio na televisão, salvo erro da Fiat, com esta música).



E gosto tanto dele, que ponho mais uma (Reveries):



Enjoy it!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Ai que caloooooooooooooooooor !

De repente, em qualquer lugar, quando ele aparece, o calor sobe a níveis desmesurados. Coro como há muito não corava. Os seus dedos deslizam-me pela nuca, pelo pescoço, pelo peito, com uma violência que só agora entendo. Transpiro tanto que as minhas mãos e o cabelo ficam molhados. Fico exausta. Basta. Tenho de afastá-lo, o que faço o mais vigorosamente que posso, abanando-me com o leque.
Tudo isto podia ser bom se ele não fosse apenas mais um afrontamento…


Ligo o ar condicionado, que aponto em cheio para mim, ou abro janelas, de maneira a fazer corrente de ar. Não adianta. O leque, que além do mais nos dá algum “salero”, é mesmo o melhor amigo da mulher durante a menopausa, por ser o mais eficaz inimigo dos afrontamentos.
Fotografia "roubada" à Sofia.

terça-feira, 24 de junho de 2008

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Perfeito coração

Gaivota, de Alexandre O'Neill
Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
No desenho que fizesse,
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa,
Esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
Dos sete mares andarilho,
Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse,
Se um olhar de novo brilho
No meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
As aves todas do céu,
Me dessem na despedida
O teu olhar derradeiro,
Esse olhar que era só teu,
Amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
Morreria no meu peito,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração.
Afinal, isto é o que me apetece hoje. Que diferença, não é?

I'm (still) your fan

Se não fossem a Sofia e o Pedro e os seus comentários ao post anterior, estaria aqui às voltas e não conseguia acabar o que comecei ontem. Odeio fazer seja o que for que não perceba e, sinceramente, a linguagem informática não me diz nada. Lembrava-me lá que tinha que pôr isto em "modo Editar Html"! Ainda se eu soubesse o que é que isso quer dizer...
Cá ficam então as músicas que faltavam, e mais uma, que graças à dica do Pedro, encontrei noutro lado:

R.E.M. - First We Take Manhattan (vs. Joe Cocker) - começa com os R.E.M. e acaba com Joe Cocker; não é assim que está no disco, mas foi o que encontrei...



LLOYD COLE - Chelsea Hotel

JOHN CALE – Hallelujah


THE HOUSE OF LOVE - Who by fire

Obrigada, Sofia. Obrigada, Pedro.

E agora, se eu dissesse que hoje era outro tipo de música que me apetecia, zangavam-se comigo?

I'm your fan


Este foi o primeiro CD que tive, e quem mo deu foi um amigo muito especial. Ouvimo-lo enquanto jantávamos. Quando a música parou, levantei-me e disse "Vou só virar o CD". Fui gozadíssima, como se calcula. (Já nessa altura era distraída).
Adoro este CD, mas perdi-o. Ou melhor, acho que o emprestei, não sei já a quem, e desapareceu. E hoje era mesmo isto que me apetecia ouvir.
Gosto muito de Leonard Cohen e ouço-o bastante, mas hoje apetecia-me ouvir as suas canções com roupagens diferentes, mais coloridas, muitas vezes quase exóticas, como a versão de Suzanne pelo ugandês Geoffrey Oryema, por exemplo.
No Google encontrei a capa do disco e pude relembrar o que lá está:
1. The House of Love: Who by fire
2. Ian McCulloch: Hey, that’s no way to say goodbye
3. Pixies: I can’t forget
4. That Petrol Emotions: Stories of the street
5. The Lilac Time: Bird on the wire
6. Geoffrey Oryema: Suzanne
7. James: So long Marianne
8. Jean-Louis Murat: Avalanche IV
9. David McComb & Adam Peters: Don’t go home with your hard-on
10. R.E.M.: First we take Manhattan
11. Lloyd Cole: Chelsea hotel
12. Robert Foster: Tower of song
13. Peter Astor: Take this longing
14. Dead Famous People: True love leaves no traces
15. Bill Pritchard: I’m your man
16. Fatima Mansions: A singer must die
17. Nick Cave and the Bad Seeds: Tower of song
18. John Cale: Hallelujah
Depois estive horas no Youtube à procura das músicas (continuam, mais uma vez, por desfazer, as malas chegadas das férias inesperadas), mas só encontrei as assinaladas nesta cor, que agora queria pôr aqui... mas não estou a conseguir... Então não é que me esqueci outra vez como se põe música? Como se vê, continuo muuuuuito distraída...
Bolas! Vou dormir. Acho que o meu mal é sono.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Apontamentos do autocarro (1)

Ontem, no autocarro, duas mulheres à minha frente conversavam. Apesar da leitura, não pude deixar de ouvir:
- Então e o que é fizestes ontem?

- Olha, fui mais a minha nora ao free-shop de Alcochete.


Anda uma pessoa ocupada na sua vidinha, e não dá por nada... Então afinal o aeroporto já está feito? Não era só em 2013?

Se calhar também já temos TGV...

Bom resto de semana curtinha!

sábado, 7 de junho de 2008

Muitas flores!

Em segundos, eu era a própria Sissi da Baviera. Saí para os jardins naquele momento, a sentir o cheiro das flores. Pouco depois, voltava a entrar em casa com braçadas delas, de todas as cores. Agora era só escolhê-las, separá-las, e pô-las em jarras. O cheiro da Primavera em breve se espalharia pela casa.

Antes que isso acontecesse… voltei à realidade. Afinal, na minha varanda há sardinheiras e pouco mais e não sou imperatriz da Áustria... (E contudo, tenho uma vantagem: estou viva!)

Aqui fica o que me mandaram por e-mail, para que também possam criar o vosso jardim (*). Jardinagem - uma coisa boa para fazer este fim-de-semana. Basta clicar e arrastar o rato em qualquer ponto da página.
Divirtam-se e sonhem, que “o sonho comanda a vida”…!

(*) Isto fez-me lembrar o JG e as surpresas que nos fazia no seu fantástico blog Zoo Bizarro, de que tenho saudades.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Aconchegante

Sem desprimor para quem há tempos deu o prémio de “Blog Apaixonante” a este meu Vou pelo Sonho, quero deixar aqui, bem à vista, o que hoje recebi:
QUE CANTINHO ACONCHEGANTE ESTE BLOG.

Foi apenas um comentário ao post anterior, não um “prémio formal” daqueles que vão aparecendo por aí na blogosfera e que muitos põem em destaque. Li-o enternecida. Agradeço-o, como se acabasse de receber um presente valioso. O valor de um presente depende sempre de quem no-lo dá.

Gosto que as pessoas se sintam bem aqui. Gosto que venham aqui para se sentirem bem. Quero que se sintam em casa, aconchegadas. Disse-o no meu primeiro dia de blog, a 20 de Janeiro deste ano: “Esta casa é minha mas também é vossa e eu adoro receber os amigos”. E agradeci, à laia de discurso dos Óscares, a alguns amigos sem os quais este Sonho nunca se teria tornado real. Uma dessas pessoas foi precisamente quem hoje lhe chamou “cantinho aconchegante”.
Hoje só para ele, aqui fica outra vez, com um beijinho:
“Obrigada
- ao João, uma das pessoas que mais admiro - e ele sabe porquê, que há séculos insistia comigo para escrever, e mais recentemente para criar um blog.”

Se toda a gente fosse assim, este nosso cantinho que é o mundo podia ser muito mais aconchegante….


segunda-feira, 2 de junho de 2008

O precário fio dos dias

Faz hoje uma semana, comecei a ir trabalhar de autocarro. Não o fazia há muitos anos. Ou melhor, não era uma prática diária minha desde os tempos da Faculdade, e, confesso, tirando o impacto dos cheiros que de manhã custam ainda mais a suportar, até nem é mau de todo. A sério que não custa muito. Custa-me mais pensar que, fora algumas saídas à noite, passei a ser uma condutora apenas de fim-de-semana. Andar de transportes nem é assim tão mau, quando, como é o meu caso, temos autocarro directo casa/trabalho e vice-versa, o tempo de viagem não ultrapassa os 10 minutos e podemos chegar num quarto de hora, no máximo.
Mas, como em quase tudo o que faço, tento tirar o melhor partido.
A leitura ajuda-me a abstrair dos meus companheiros de viagem. A mão que ponho de vez em quando debaixo do nariz ajuda-me a esquecer os cheiros que me incomodam. E, a propósito, tenho um problema com a visão. Perdão, graças a Deus, não tenho problemas de visão, tirando os que são próprios dos quarenta e tais. Tenho, sim, problemas com a “Visão”, a revista. Mas eu explico: tem artigos bem escritos e interessantes, por isso muitas vezes a compro, mas é daquelas revistas, que, depois de uma primeira vista-de-olhos e da leitura da crónica do António Lobo Antunes, acabam por ir para o “papelão” com muito por ler.
Agora, antes de sair de casa, pego numa revista ou num jornal que cá esteja, e aí vamos os dois. Mas, voltando à Visão, a que levei hoje era, imaginem, de 17 de Abril. E desta vez ainda nem lera a crónica do Lobo Antunes! Intitulada “O precário fio dos dias”, é como tudo o que escreve, espantoso! Para quem não leu, deixo-a agora aqui. E não posso deixar de agradecer ao escritor a companhia que me fez. Obrigada, António. E "Aguente-se"!
Se andasse de carro, talvez já tivesse ido pôr as revistas antigas ao eco-ponto, e provavelmente teria perdido esta crónica!

domingo, 1 de junho de 2008

Uma Criança que Precisa de Nós, em S. Tomé

Ora aqui está, finalmente, uma iniciativa meritória, neste Dia Mundial. Foi a Ana, na Porta do Vento, que ma apresentou hoje.
Quem, como eu, sente S.Tomé - o sorriso branquíssimo e a pobreza daquelas crianças, aquele paraíso lindo, verdíssimo - que me marcou como mais nenhum lugar - não pode deixar de fazer qualquer coisa. Agora então, depois deste desafio, não temos mesmo desculpa. Afinal, ajudar não custa nada. Comecemos ainda hoje.

Aqui fica o desafio:

Diocese de São Tomé

Apadrinhamento à distância


A sua ajuda poderá ter um grande impacto na vida de uma destas crianças



A sua participação ou pedido de informações deve ser
dirigida ao Bispo D. Manuel Santos, CMF

Via email para: manuelsantoscmf@hotmail.com

D. Manuel Santos CMFDiocese de São Tomé São Tomé e PrincipeTel +23 992 9505


Uma escolha de paz para o desenvolvimento

- No mundo, e em particular em São Tomé e Príncipe, muitas crianças são vítimas diariamente da marginalização, da fome, das doenças, da violência e da pobreza.

- Neste país falta o acesso à alimentação, à água potável, à assistência médica, à educação de base, faltam os direitos fundamentais do homem.

- A Diocese de São Tomé e Príncipe, com esta campanha de apadrinhamento à distância, tem-se empenhado em representar os mais necessitados do mundo.

- O apadrinhamento à distância é um grande esforço de solidariedade humana e de participação no desenvolvimento dos povos.

- O apadrinhamento à distância aproxima-o de uma criança, da sua família e da sua comunidade, torna-o um elemento activo e participante no desenvolvimento e no crescimento das comunidades em vias de desenvolvimento e permite-lhe colaborar para a sensibilização de muitas outras pessoas como você.

A sua participação é essencial

- Receberá um postal informativo e descritivo dos programas que implementamos, bem como uma fotografia da criança que adoptará à distância.

- Durante o ano receberá também duas mensagens da criança, por ocasião das épocas do Natal e da Páscoa, e um relatório anual sobre o trabalho desenvolvido no terreno.

Apadrinhamento à distância significa desenvolvimento

- Não pretendemos unicamente distribuir fundos destinados à aplicação em situações de emergência. Visamos o planeamento de um projecto que construa, no decorrer do tempo, um instrumento moral e humano sólido e uma estrutura para o desenvolvimento no interior da comunidade local, da criança à família.

- Uma vez individualizada uma área de intervenção seleccionada pelos nossos contactos locais, laicos ou missionários, planificamos em conjunto com as famílias, operadores e autoridades locais, as intervenções de emergência que se impõem, que fazem parte de um programa para combater a longo prazo as causas que estão na base da pobreza.

- Através do contacto com a criança sustentada à distância, o seu apadrinhamento contribuirá para proporcionar à criança a escolha de um futuro, apoiará a sua família e contribuirá para o desenvolvimento e para o bem-estar da comunidade em que se insere.

- Por estes motivos, os nosso programas não se limitam a fornecer bens materiais e estruturais, mas alargam-se à participação e envolvimento das comunidades locais no fomento do desenvolvimento, por forma a torná-las autónomo para agirem como interlocutores directos dos seus direitos combatendo as causas da pobreza.

Uma longa amizade à distância

- Porque combatemos a pobreza juntos, o seu papel será tão importante como o nosso,
- Ajudando uma criança e a sua comunidade, num dos países mais pobres do mundo

- Dando vida a projectos a longo prazo que garantam melhores condições de vida e o respeito pelos Direitos do Homem;

- Aproximando-se de uma realidade distante através da fotografia de 1 criança, das suas mensagens e de informações sobre o seu percurso escolar.
Agora, é só contactar o Bispo de S. Tomé. Vamos a isso!
...................................................................
ACRESCENTADO A 02 DE JUNHO:
Hoje logo de manhãzinha, tinha já no meu mail a resposta do Bispo D. Manuel. Embora na sua essência diga o mesmo, não é igual à que a Ana recebeu ontem. Acho muito importante sentirmos que a resposta é mesmo para nós, que não é "chapa quatro". Se tivesse dúvidas quanto a este projecto, ter-se-iam de algum modo dissipado agora, com a "pessoalização" desta resposta. Quero acreditar que, para este homem, também cada criança que pretende ajudar com a nossa ajuda é única e irrepetível.
Aqui fica:
"Agradeço a sua comunicação. Se conhece São Tomé sabe bem as carências que aqui se vivem no dia a dia. E as crianças são, sem dúvida, as mais afectadas. Por isso a iniciativa do apadrinhamento à distância é uma óptima maneira de contribuir para dar alguma possibilidade de uma vida melhor a uma criança. Para isso pedia-lhe que contactasse a CARITAS de Setúbal. É esta Instituição que está a coordenar esta iniciativa em Portugal. O contacto é: caritas.setubal@mail.telepac.pt Se houver mais alguma dúvida não hesite em contactar-me.
Que Deus a abençoe!
+ Manuel António Santos CMF"

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Mudam-se os tempos...

MUDAM-SE OS TEMPOS...
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, enfim, converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.
Luís Vaz de Camões

A evolução dos assaltos.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Embirrações

Ora aqui ficam, para que conste, seis das coisas que mais me “encanitam”:

(1) A arrogância, muitas vezes a tentar disfarçar incompetência, de políticos e outros responsáveis pelo funcionamento do nosso país, “carreiristas” e sem qualquer sentido de serviço público, que se estão literalmente nas tintas para nós.
(2) Pessoas que insistem em se fazer passar por quem nunca foram nem nunca serão, para quem tenho um faro de perdigueiro.
(3) A propósito, o J. Berar.. – meu “ódio de estimação” – cujo nome até me custa pronunciar, tal é a alergia.
(4) Faltas de respeito, de toda a ordem.
(5) Fazer mal, quando se pode fazer bem.
(6) Todas as injustiças.

Escrevi isto de rajada, quase sem pensar. Olho melhor e chego a uma conclusão:
Afinal, o que eu não suporto mesmo é a injustiça, implícita em qualquer um dos 5 pontos anteriores:
(1) Quando os políticos e os outros apenas querem fazer curriculum, ou são incompetentes, não é injusto para os cidadãos? É!
(2) Se nos deixarmos enganar por alguém que não é aquilo que parece – felizmente, curei-me com a idade, e hoje tenho faro de perdigueiro para estas coisas – não nos sentimos injustiçados? Claro!
(3) Quem pagou o museu que o meu ódio de estimação fez crer que oferecia ao país? Será justo? E será justo dar ao homem a importância que o Estado lhe dá? Não haverá perigo de que as pessoas menos informadas e educadas pensem que ele é um “senhor”? E isso não é injusto para um povo que precisava urgentemente de ser educado? Claro que é!
(4) E tudo isto não são faltas de respeito para connosco? E nós merecêmo-las? Alguém merece? Não? Então é injusto.
(5) E é justo, para nós e para quem nos rodeia, fazermos mal o que podemos fazer bem? Conheci em tempos uma pessoa execrável que mandava numa empresa onde trabalhei, mas que defendia a seguinte máxima: “Até quando limpamos o rabo devemos fazê-lo bem”. E não é verdade? Será justo para o rabo que o deixemos mal limpo? Não! E não é justo que percamos tempo a fazer coisas mal feitas. Seja o que for… a vida é preciosa demais, para que a desperdicemos a fazer mal. É injusto para a vida!
(6) Tudo isto são injustiças, como é injusto termos que trabalhar com alguém que “escarra para o lenço” e que, apesar de lho dizermos, não aprende que isso não se faz, como já me aconteceu, é injusto ganharmos pouco e descontarmos imenso para o Estado ainda por cima gastar mal, é injusto que haja gente com muitíssimo menos do que nós, é injusto que escapem aos impostos muitos que ganham fortunas, é injusto termos de passar dias inteiros em corredores de hospitais se temos um problema de saúde, é injusto sermos maltratados por funcionários mal educados e sem brio profissional em qualquer repartição pública, é injusto querermos fazer melhor e não nos deixarem, é injusto os políticos e dirigentes instaurarem processos disciplinares a desgraçados que ganham o ordenado mínimo, “por dá cá aquela palha”, e nunca serem responsabilizados pelas suas incompetências, decisões erradas ou não-decisões, que tanto custam ao país, ou seja a nós.
Em suma, ODEIO INJUSTIÇAS!

domingo, 25 de maio de 2008

Eu, em 6 palavras (II), agora a sério! *

* Da primeira vez, apeteceu-me apenas brincar com quem me lançara o desafio.
Agora é a sério:
Preciso de ser sonhadora. Porque que a vida não é fácil, obrigo-me, quase sempre, a tentar ser feliz. Porque sei que sem os outros é ainda mais difícil, sou, o mais possível, filha, mãe, amiga. Porque que me magoam a estupidez, a arrogância, a injustiça, tento combatê-las por todos os meios ao meu alcance. Com os anos, aprendi que a cura de muitos males é, muitas vezes, o riso. O meu e o dos outros. Por isso, a última palavra que escolho é gargalhada.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Ai que Mimo!



O Zé Pedro comentou hoje pela primeira vez aqui. Como imaginam, fiquei radiante, e penso que isso seja visível no post anterior a este.
O que não mostrei foi como as saudades se me colaram à pele quase no mesmo instante.
Dei comigo a ver fotografias dele e não resisto a deixar aqui estas, que o mostram no seu Elemento!



É lindo, não é?
E eu não sou nada Mãe-Galinha, pois não?

Carta ao Meu Filho

Meu Querido,

Adorei quando me ligou a dizer que finalmente tinha comentado aqui. Acho que nunca tinha "aberto" os comentários ao meu blog com tantos "nervos". O que é que o meu filho lindo terá escrito?, pensava eu enquanto esta coisa ligava...
E agora aqui estou eu a tentar responder, depois de me ter comovido, como quando você era pequenino e fazia ginástica nas festas do colégio, ou como quando, no jantar dos seus 18 anos, sacou de um papel do bolso, e fez um discurso lindo!
AI C'ÓRGULHO NO MEU FILHO!
Pois é, Querido, eu sou assim: só não tinha percebido que havia uma Mãe diferente antes e depois do blog. Será? Mas adorei saber E como sabe, se calhar há muito tempo, gosto de sonhar. Por isso, acho que a inteligência está na procura das coisas que são importantes para nós. Como a Praia da Luz, que pode já não "ser nossa" como foi, mas que, por isso mesmo, se tornou importante, e por isso a procuramos.
Oooooops, és capaz de ter razão, não havia necessidade de enquadrar a Rocha Negra com as palmeiras, que são posteriores ao tempo da “nossa” praia, não é? E foi preciso dizer-me isso para eu me aperceber… da foleirada! Estás desculpado, porque, logo a seguir dizes que “não é conversa de cota” falar da erosão da falésia e antes tinhas escrito “um filho nem sempre tem oportunidade de ouvir a Mãe assim, nua e crua". Por isso tenho-me babado todo aqui no meu cantinho ao sol, a ler as histórias, as recordações, os pensamentos e devaneios da minha Mãe Querida.”
Então os bolos de Odiáxere voltaram a abrir à noite? Não sabia ou não me lembrava, mas, seja de onde for, adoro os bolinhos que trazes.
Também ficou com vontade de experimentar os cogumelos do Golfinho? Temos que lá ir.
Ó senhor quase biólogo marinho, escusava de achincalhar a sua-Mãezinha,-essa- santa,- benza-a-Deus, por causa dos PERCEBES… Pronto, é PERCEVES (Understands, no Verão (LOL))!!! Já PERCEVI!
Fico à espera do seu retorno ao universo bloguista! A sério!
Adoro-te, Miúdo!

Um beijo enorme da
Mãe

terça-feira, 20 de maio de 2008

Quanta Luz!

Há dias, trocámos e-mails com fotografias da Praia da Luz. Esta foi a que lhe mandei, tirada com o meu telemóvel, no dia 11 deste mês. E tive esta belíssima surpresa.

Descobríramos há tempos esta paixão comum, a luz que para nós representa esta praia, e que se percebe em cada frase do seu texto.
Com uns anos a mais, a minha experiência é, porém, bem semelhante. Afinal, a Luz atravessa diferentes gerações marcando todas com uma doçura muito especial. É a intemporalidade das coisas boas, que, com ternura, gostamos sempre de recordar.

Apetece-me acrescentar algumas notas ao que foi dito:

A erosão da falésia que nos acompanha até à Rocha Negra é bem mais visível e assustadora nos últimos anos. Não sei se alguma vez alguém apanhou um susto, mas já vi cair bocados de rocha lá de cima, depois de ouvir um enorme “rugido”, num fim-de-semana de Outono, na esplanada do Mar à Vista, mesmo em frente à rampa da praia. Talvez há dois ou três Verões, alguém (a Capitania, a Polícia Marítima ou a Protecção Civil?) colocara, a uns 5 ou 6 metros da “parede” de rocha e terra que agora tem mais plantas que ali crescem junto aos fios de água que por ali vão descendo, uns pequenos postes com fita sinalizadora encarnada e branca a ligá-los e umas placas de aviso de derrocada. E não é que os turistas veraneantes insistiam em instalar-se com os guarda-sóis, toalhas, baldes e forminhas e toda a parafernália de tralha, mesmo encostadinhos à fita e aos postes? O que é certo é que a sinalização desapareceu e não voltou. E o passeio à Rocha Negra é parte importante de qualquer dia de praia na Praia da Luz. E as rochas entre a falésia e o mar não param de nos surpreender, ora mais à vista, ora tapadas de areia vinda com a última maré.

O Privé, aquela mistura que conseguimos achar saudável nas férias, de “bifes”, locais e turistas, que somos nós (porque nem uma coisa nem outra das anteriores), onde hoje em dia quase todos os que não são locais nem “bifes” têm o estranho hábito de me chamar “tia”, porque são quase toooooodos da geração do meu filho. Mas é de quando não havia nem Privé, nem Mirage (onde nunca entrei, porque quem lá vai são só “bifes” e miudagem mais nova ainda do que o meu filho), do The Mad Hatters, de há 30 anos, no Burgau, que guardo as mais divertidas e ternurentas recordações, dos namoros de Verão embalados nos slows, das boleias, das combinações no Café dos Pescadores do Sr. Fernando, antes da ida. Quase ninguém tinha carta ainda, e lá íamos como sardinha em lata, para aí uns vinte, em dois ou três carros. Desses vinte, a maior parte optou por outras paragens e hoje somos talvez meia-dúzia e nem sempre vamos de férias na mesma altura.
Mais tarde, foi o Horta 2, à saída de Lagos para Portimão e, nessa altura, ainda éramos muitos. E os bolos, depois, em Odiáxere, com o pasteleiro ensonado a perguntar o que queríamos e a deliberar, perante as nossas indecisões e a diversidade das nossas escolhas, assertivo: “hoje é bolas-de-berlim para toda a gente, senão nunca mais me desamparam a loja”. Mais tarde, tal era a confusão de carros e gente à sua porta, foram proibidos de vender de noite, coitados. E passámos a ir aos bolos a Espiche. Agora já se podem comprar mesmo na Praia da Luz, mas eu nunca lá fui, porque às horas a que estão abertos de noite, já eu costumo estar a dormir. Quando muito, tenho um presente de pastéis de nata para o pequeno-almoço. E sabe-me tão bem esse mimo do meu filho!

Que visão, Sr. Baptista! De um mini-mercado pequenino, evoluiu para um dos melhores supermercados que conheço. A propósito, alguém conhece o Sr. Baptista? A Dora, se é a mesma em que estou a pensar, acho que só tem os gémeos, e estão enormes. O Baltazar, essa figura incontornável, pelo menos daquele nosso lado da vila, lá continua com o seu cabelo asa-de-corvo. Cá para mim é pintado! Ele é igual desde os meus 15 anos!

E o cinema? Apesar dos filmes da treta e do cheiro (misto de cloro e chichi, por ficar debaixo de uma piscina, presumo), tem um dos melhores espaços entre filas que já vi. Ou tinha, porque no último fim-de-semana que lá estive estava com um letreiro na porta a dizer “Fechado”. Seria só por ser época baixa?

Cogumelos no Golfinho? Nunca provei. Aliás, acho que nunca lá fui, não sei porquê. Talvez experimente este ano. Mas jantares na Concha, foram os dos meus anos durante anos a fio. Depois cansei-me de termos de insistir sempre que o peixe grelhado não é com batatas fritas, e que as sardinhas sem pimentos assados não são sardinhas, e passei a variar. Lembro-me dos mexilhões no Rocha Negra, mas do que me estou agora a lembrar é que no seu lugar, vazio há anos, estava agora uma outra casinha em madeira, fechada, e que me esqueci de perguntar o que será. Mariscos e petiscos na nossa praia, há muito pouco. Nem percebes ali de tão perto. Não há em parte nenhuma, que eu saiba. Para isso, vale a pena, sim, ir a Sagres ou a Vila do Bispo, onde há anos vi um quadro preto, à entrada de uma dessas tasquinhas, a aliciar os turistas: “Há PERCEBES” e por baixo “UNDERSTANDS”. Na Praia da Luz houve marisco/petisco, durante muitos anos, mas lá em casa, quando o meu Pai ia aos camarões, manhãzinha cedo, na maré vazia. Uma vez à noite até levei camarão para “Os Pescadores” e estivemos a comê-los na esplanada, com cervejas compradas ao Sr. Fernando. Havia camarão quase todos os dias, às vezes santolas, polvos. Muitas vezes o meu Pai ia ao Amado ou ao Zavial e levava o carro cheio de miudagem (da que ainda não saía à noite, porque a partida era muito cedo), que não sei se ia pela aventura do camaroeiro, ou pelo pão quente, óptimo, que costumávamos comprar já não sei onde e comer com manteiga levada de casa, que sabia pela vida. Mais tarde, o meu Pai levava o meu filho e os amigos dele, filhos de amigos meus, todos muito pequenos, e quando voltavam, vinham cansados mas felizes. Se as marés não eram boas, o Pai ia ao mercado a Lagos e aparecia com qualquer coisa para petiscarmos ao jantar. Nunca mais comi salada de búzio como naquela altura.

E a prainha, que no último Verão estava enorme, cheia de areia, se as marés e os ventos quiserem, estará no próximo, como a vi há dias: rochas descarnadas, imensas, em declive até ao mar, quase lisas, como que convidando-nos a ficar ali a olhar o azul, sem pena de que não haja areia onde estender a toalha.

A luz, essa, estará sempre lá à nossa espera.


quinta-feira, 15 de maio de 2008

Um blog apaixonante!


O “Vou pelo Sonho” acaba de receber este prémio!
O Pedro, do Codornizes, achou que merecia, e cá está ele!
Ultimamente tem acontecido com frequência não me apetecer “blogar”, não me apetecer vir aqui. Por vezes, este mundo dos blogs parece-me uma espécie de feira de vaidades, e embora possa achar graça a feiras de outro género, não gosto de vaidades. Gosto de ser eu própria, e nada faz sentido para mim se não me mostrar tal como sou. Por isso, o “Vou pelo Sonho” é como eu, sem artefactos, feito de pequenas histórias, de coisas de que gosto ou que me aborrecem, das pequenas coisas de que é feita a vida. A minha, pelo menos. É também dessas pequenas coisas que alimento os meus sonhos.
Pelos vistos, há quem também ache isso importante. Obrigada, Pedro, sinceramente!
Estávamos a precisar de mimo, eu e blog. Ficámos muuuuuuuito contentes os dois!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Em 6 palavras de cada vez

Em resposta ao desafio da Sofia,
Vão seis palavras em seis linhas,
E em jeito de private joke:
“Tu de sandálias, apesar da chuva.”
Ou mais um pouco de inglês:
“Despite the rain, tu de sandálias.”



Um dia respondo mais a sério...

terça-feira, 6 de maio de 2008

Galiza e outros dias

Voltei, depois de todos estes dias.
Primeiro, um fim-de-semana grande na Galiza.
Uma casa linda, com gente linda, por dentro e por fora. Uma mesa grande onde nos encontrávamos logo de manhã para o pequeno-almoço e onde voltámos para quase todas as outras refeições, todos juntos. Éramos sempre dez a esta mesa, com idades entre os 15 e os quase 80. Refeições animadas, muita conversa, muito riso, como eu gosto de um modo especial, talvez porque, por sermos poucos, a mesa em nossa casa nunca precisou de ser grande no dia-a-dia.
Foi assim que Santiago de Compostela se mostrou: linda, com as suas pedras escuras e muito verde nos jardins e nos canteiros bem tratados. A Catedral, imponente, recortava-se num céu azulíssimo e sem nuvens. E lá dentro, toda aquela história e todas as histórias que fazem de Santiago um dos grandes centros de peregrinação do Ocidente, sentimos uma atmosfera especial.


O calor que se fez sentir todo o tempo, permitiu-nos saborear um verão antecipado naquela zona, geralmente mais cinzenta e menos soalheira.
Passeámos na praia de Aguieira, perto de Noya, onde a ria parece um lago entre montanhas, numa paisagem muito calma, diferente de todas as praias que conhecia. Depois, levaram-nos a descobrir uma pequena península, a que apenas se chega a pé, por trilhos entre tojos e alfazema, com uma vista fabulosa: à esquerda, uma falésia alta e uma baía enorme, à direita uma praia pequenina, e ao fundo, na “ponta” da península, pelo monte acima, um Castro muito bem conservado. Fiz de conta que não tenho vertigens e, qual cabra-montez, trepei até ao castro, por cima das rochas, sem conseguir evitar fechar os olhos nas alturas em que o mar batia lá em baixo, mesmo a seguir aos meus pés. Como sempre, nas poucas vezes em que alguém me consegue convencer a aventurar-me nestas coisas, cheguei lá acima com as pernas a tremer, mas valeu mesmo a pena.
No último dia, Domingo, depois de um pequeno-almoço “daqueles”, descobrimos uma exposição de Dali “A Divina Comédia”, na Biblioteca de uma Universidade, mesmo ao pé da Catedral. Adorei, e ainda fiquei com mais pena de não me ter “mobilizado” para ir ao Porto ver a exposição dele que lá esteve o ano passado. Depois, fomos à missa do meio-dia à Catedral. Chegámos pouco antes da hora e ainda conseguimos instalar-nos nuns degraus de uma das entradas laterais, de maneira a podermos ver o “Bota-Fumeiro”. A Catedral estava apinhada de gente de todo o lado, mas não se ouvia uma mosca. Foi uma missa solene, com cânticos em latim, acompanhados por aquele órgão maravilhoso que é o mais antigo da Europa, e com orações rezadas em várias línguas, incluindo o português. No início, o Padre saudou todos os peregrinos presentes, tendo mencionado donde vinham e em que número. Só a “cerimónia” do incenso, depois da comunhão, demorou cerca de 5 minutos. E, no entanto, a missa demorou 45 minutos. (Eu não queria acreditar. Em Fátima, apesar do calor abrasador, do frio agreste, ou da chuva, as missas no Santuário, nunca demoram menos de uma hora e meia ou duas horas.)
Obrigada, C. e L., e S., J., C. e L. pelo excelente fim-de-semana. Adorámos a vossa casa, adorámos estar convosco e acho que quase consegui perceber o que vos fez mudar para a Galiza. Isso é lindo, aí. Mas às vezes, cá, tenho saudades vossas.

Depois, quatro dias em casa, para descansar e tratar de algumas coisas que só em férias conseguimos fazer sem stress.

De seguida, mais três dias em casa da Mãe, como dantes, como sempre. Mas não tão calmos. No primeiro dia, jantar com amigos num restaurantezinho da terra, onde os levámos para provarem o ensopado de enguias, o torricado e a açorda de sável. E onde o T. me perguntou: “Como é que nos conheces desde sempre e só agora nos trazes aqui?”
No dia seguinte, era dia de mercado mensal, tipo feira. Combinei ir com as minhas primas B., M. e A., que encontram sempre coisas fantásticas nestas coisas. Depois almoço no páteo de casa da B., com todas elas, o S., o T. e as crianças. Às cinco horas, Missa Flamenca, a abrir as comemorações do mês da cultura taurina, muito bem cantada pela Irmandade de Puebla Del Rio, Sevilha, que acabou bastante depois das seis… E a seguir, a inauguração de uma exposição, jantarada em casa de um amigo, e mais flamenco pelo grupo que cantara a Missa…
No Domingo, aproveitei para dormir até mais tarde e preparar-me para voltar a Lisboa e ao trabalho. Desta vez, nem tive tempo para me enroscar no sofá da sala e adormecer, como de costume, ali mesmo ao pé da lareira.